Alda do Espírito Santo, escritora de São Tomé e Príncipe

Alda do Espírito Santo, escritora de São Tomé e Príncipe
Alda do Espírito Santo, de São Tomé e Príncipe

Amílcar Cabral, escritor de Guiné-Bissau

Amílcar Cabral, escritor de Guiné-Bissau
Amílcar Cabral, escritor de Guiné-Bissau

Pepetela, escritor de Angola

Pepetela, escritor de Angola
Pepetela, escritor de Angola

Mia Couto, escritor de Moçambique

Mia Couto, escritor de Moçambique
Mia Couto, escritor de Moçambique

Alda Lara, escritora de Angola

Alda Lara, escritora de Angola
Alda Lara, escritora de Angola

Armênio Vieira, escritor de Cabo Verde

Armênio Vieira, escritor de Cabo Verde
Armênio Vieira, escritor de Cabo Verde

Agostinho Neto, escritor de Angola

Agostinho Neto, escritor de Angola
Agostinho Neto, escritor de Angola

Agualusa, escritor de Angola

Agualusa, escritor de Angola
Agualusa, escritor de Angola

sábado, 6 de Março de 2010

Seja bem-vindo a este espaço literário, das letras africanas!

FACULDADES INTEGRADAS DO NORTE DE MINAS - Funorte
Curso de Graduação em Letras Português/Espanhol

Olá, Turma! Seja muito bem-vinda neste espaço reservado a leituras das Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Aqui, discutiremos Literatura, História e Memória Cultural dos países africanos lusófonos.
Desejo uma feliz e brilhante travessia !
Abraço,
Profa. Generosa Soutto.

PLANO DE ENSINO

DISCIPLINA:Literaturas Africanas de expressão portuguesa
PROFESSORA:Dra. Maria Generosa Ferreira Souto
CARGA HORÁRIA Semestral: 36 - Semanal:02 -Período:8º Semestre/1º/2010

EMENTA

Apresentação das Literaturas Africanas escritas em Português (angolana, cabo-verdiana, guineense, moçambicana e santomense). Características comuns à sua gênese bem como vários temas que as percorrem de modo transversal. Particularidades do contexto específico de cada uma delas e autores e textos considerados mais relevantes. Vigência destas literaturas durante o período colonial e focalização de temas e questões literárias mais recentes. Dialogismo entre literaturas.


OBJETIVOS

• Compreender a cultura na visão de Sartre, Bosi e Antonio Candido. África e habitantes. Sociedade. Contexto histórico e breve panorama da literatura de: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
• Estudar as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) através da leitura e análise das obras dos mais representativos autores dos países referidos.
• Estudar a História e a Cultura Afro-Brasileira, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.
• Destacar a obra de um autor africano de Língua Portuguesa para estudá-la isolada e aprofundadamente, daí resultando monografias discentes. dentre um dos seguintes escritores: Castro Soromenho, Pepetela, Mia Couto, Luandino Vieira, Agostinho Neto, Noêmia de Sousa, José Eduardo Agualusa, Costa Andrade, José Craveirinha e Germano Rodrigues.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

I. Questões de Enquadramento
1. Questões de ordem terminológica: reflexão crítica em torno da designação “Temas das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa”;
2. Imagens de África (estereótipos, clichés, visões unilaterais e visões plurais);
3. Aspectos marcantes da colonização portuguesa;
4. Cultura colonial (e/ou colonialista) e culturas nativas;
5. A questão da(s) língua(s): portuguesa e locais;
6. Oralidade (a voz) vs escrita (a letra).
II. Temas selecionados
1. Escravatura;
2. Guerra;
3. Identidade e alteridade;
4. Infância e Velhice;
5. Memória e sabedoria ancestrais;
6. Mestiçagem;
7. Migrações;
8. Mitos;
9. Negritude;
10. O contrato (o contratado);
11. Urbanidade e ruralidade.

Observação: Estes temas serão estudados sobretudo a partir de narrativas breves (contos e novelas) e de textos de poesia.

ESTRUTURA DE APOIO

-Quadro e giz; Retroprojetor; Datashow; Livros; Textos xerografados; TV/Vídeo.

METODOLOGIA
• Aulas teóricas, com exposição dos conteúdos programáticos pelo docente, podendo, em certas circunstâncias, revestir-se de caráter teórico-prático.

Aulas práticas, com análises e comentário de textos literários e de textos críticos relativos à matéria exposta nas aulas teóricas, que poderão assumir a forma de debates ou de trabalhos realizados individualmente ou em grupo.

Sessões de orientação a textos escritos em formato de artigo, com acompanhamento personalizado e sistemático dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes.
• Seminários temáticos;
• GVGO;
• Painel integrado.

AVALIAÇÃO
PONTOS TIPO
10,0 Avaliação Diagnóstica (oral e escrita)
10,0 Avaliação Formativa (objetiva escrita)
20,0 Avaliação Somativa (objetiva e subjetiva/discursiva)
10,0 Artigo

BIBLIOGRAFIA

BÁSICA

LARANJEIRA, Pires (com Inocência Mata e Elsa Rodrigues dos Santos. Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa. Lisboa: Universidade Aberta, 1995.
LEÃO, Angela Vaz (Org.), Contatos e Ressonâncias: Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, BeloHorizonte: Editora PUCMINAS, 2003.
FERREIRA, Manuel, O Discurso no Percurso Africano I, Lisboa: Plátano, 1989.
COUTO, Mia. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2003. P. 246.
___________Estórias Abensonhadas. Lisboa: Caminho, 2003.

COMPLEMENTAR

CHEVALIER, Jean, GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. 16ª ed. RJ: José Olympio. P. 688.
COUTO, Mia. «O embondeiro que sonhava pássaros». Cada homem é uma raça. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1988. P. 63.
_________Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em2002.
_________Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 2003.
____________O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2004.
MATA, Inocência – Bendenxa (25 poemas de São Tomé e Príncipe para os 25 anos de Independência) , Lisboa, Ed. Caminho, 2000
TENREIRO, F.J. e ANDRADE, Mário – Poesia Negra de Expressão Portuguesa, Lisboa, ALAC
MATA, Inocência. Literatura Angola: Silêncios e Falas de uma Voz Inquieta. Luanda: Kilombelombe, 2001.

27 comentários:

  1. Literatura Africana em Língua Portuguesa
    http://www.prof2000.pt/users/hjco/alternativas01/Pag00008.htm

    Não se pode falar da literatura africana sem se falar da "Negritude"; aliás, esta última constitui o tema fundamental da literatura africana.
    A literatura africana de expressão portuguesa nasce de uma situação histórica originada no século XV, época em que os portugueses (cronistas, poetas, historiadores, escritores de viagens, homens de ciências e das grandes literaturas europeias) iniciaram a rota de África, continuando depois pela Ásia, Oceânia e América.
    Gomes Eanes de Zurara, João de Barros, Diogo de Couto, Camões, Fernão Mendes Pinto, Damião de Góis, Garcia de Orta, Duarte Pacheco Pereira são alguns nomes cujo discurso é alimentado do "saber de experiência feito" alcançado a partir do século XV, em declínio já no século XVII) esgotado no século XVIII. A obra de Gil Vicente (século XVI) ou, embora escassamente, a de poetas do cancioneiros (séculos XIV e XV) ao lado das "coisas de folgar", foram marcadas pela expansão ao longo dos «bárbaros reinos». É uma literatura feita pelos portugueses, fruto da aventura no além-mar, no período renascentista, a que se denominou de literatura dos descobrimentos.
    Esta literatura, nascida de uma experiência planetária, nada tem a ver com a literatura africana de língua portuguesa. Este registro serve apenas para contextualizar no passado fatos relacionados com o quadro cultural, político que século depois havia de surgir.
    Com efeito, a partir do século XV, inicia-se o processo de colonização em África, o que condiciona, séculos mais tarde, o aparecimento de nova literatura, a literatura colonial (1900-1939).

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  2. Em que difere a literatura colonial da literatura dos descobrimentos?

    Enquanto a literatura dos descobrimentos se baseava no relato de viagens feito por navegadores, escritores, comerciantes, etc.., e narrava fatos ocorridos ao longo dessas viagens, a literatura colonial retrata a vivência dos portugueses no além-mar. Nesta literatura, o centro do universo narrativo e poético é o homem europeu e não o homem africano. Era uma literatura profundamente racista, onde predominavam as ideias de inferioridade do homem negro, que teóricos racistas, como Gobineau, haviam derramado, e para as quais teria contribuído o filósofo Lévy Bruhl com a sua tese de mentalidade pré-lógica. Importa dizer ainda que, nesta literatura, a África era vista apenas como uma linda paisagem, ou um paraíso, e o protagonista dessa paisagem era o homem europeu. Trata-se, pois, de uma literatura caracterizada fundamentalmente pela exploração do homem pelo homem.

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  3. Continuando a travessia...

    É preciso dizer que estes discursos racistas eram fruto da mentalidade da época, no ponto de vista político-social. Todavia, houve alguns escritores como João de Lemos (Almas Negras) e José Osório de Oliveira (“Roteiro de África”) que tentaram entender a mentalidade do homem negro, pois há nas suas obras uma intenção humanística.

    São precisamente as duras e condenáveis características da literatura colonial, e os outros fatores como a criação e desenvolvimento do ensino oficial e o alargamento do ensino particular, a liberdade de expressão, a instalação da imprensa (a partir da década de 40 do século XIX) que vão propulsionar o aparecimento de uma nova literatura a que se convencionou chamar de literatura africana de expressão portuguesa.
    Com efeito, alguns anos mais tarde, após a instalação da imprensa em Angola, ocorre a publicação do livro “Espontaneidade da minha alma” (1949) do angolano mestiço José da Silva Maia Ferreira, o primeiro livro impresso na África lusófona, mas não a mais antiga obra do autor africano. Anterior a esta, há conhecimento do poemeto da cabo-verdiana Antônia Gertrudes Pusish, "Elegia à memória das infelizes vítimas assassinadas por Francisco de Mattos Lobo, na noute de 25 de Junho de 1844”, publicado em Lisboa no mesmo ano.

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  4. Dessa forma, cursista, saiba que a literatura africana, como um conjunto de obras literárias que traduzem uma certa africanidade, toma esta designação porque a África é o motivo da sua mensagem ao mundo, porque os processos técnicos da sua escrita se erguem contra o modismo europeu e europeizante. John chamou-a de literatura Neo-africana por ser escrita em línguas europeias e para diferenciá-la da literatura oral produzida em língua africana. Nesta literatura, o centro do universo deixa de ser o homem europeu e passa a ser o homem africano.
    É necessário frisar que este tipo de literatura, chamada literatura africana de expressão portuguesa, ganha uma nova especialização, tomando a designação de literatura de raiz africana. Esta literatura teve a sua origem através do confronto, da rebelião literária, linguística e ideológica, da tomada de consciência revolucionária a partir da década de 40 (século XIX). Importa referir que era uma literatura dirigida particularmente aos africanos e escrita em línguas locais em mistura com o "português", pois o propósito era tornar a escrita inacessível aos europeus, isto é, não permitir ao homem branco descodificar as suas mensagens. Daí a introdução nas obras de poetas angolanos (Agostinho Neto, António Jacinto, Pinto de Andrade, Luandino Vieira, etc.) de palavras e frase idiomáticas em quimbundo e umbundo, e em muitos outros autores africanos como Mutimati Bernabé João (Moçambicano).
    Esta fase vai de meados da década de 40 até às independências (meados da década de 70). “A vida verdadeira de Domingo Chavier” de Luandino Vieira e “Sagrada esperança” de Agostinho Neto são textos impregnados de marcas visíveis da revolta política que mais se traduzem nos quatros cantos do mundo.
    A literatura africana combate o exotismo sob todas as formas, quer se apresente recuperando narrativas tradicionais, quer utilize ritmos significantes emprestados das culturas populares.
    Nilton Garrido - SEUC Sec - Turma SA

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  5. LITERATURAS AFRICANAS: ALTERIDADE, MANIPULAÇÃO E ESTEREÓTIPOS

    "Visíveis, porém estereotipados"

    Texto publicado originalmente na Revista Cronópios.

    Agradeço pela insubstituível colaboração das professoras Dalva Pontes de Almeida e Raquel Pontes de Almeida.

    'Se a Deos chamão por tu,
    e a el Rey chamão por vós,
    como chamaremos nós,
    a três que não fazem hum,
    que o povo indiscreto, e nú
    falto de experiência, fez
    em lugar de hum três
    que com toda a Cortezia
    tú, nem vós, nem Senhoria
    merecem suas mercês'

    (António Dias Macedo; In: FERREIRA, Manuel. Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa.
    Vol. I. Col. “Biblioteca Breve”, n° 6. Lisboa: ICP/MEIC, 1997. )


    INTRODUÇÃO

    O aparecimento das literaturas de expressão portuguesa em África é o resultado de um longo processo histórico de quase quinhentos anos de assimilação (desde o século XVI), ocorrida basicamente devido à colonização sofrida por tais países pela metrópole, Portugal. É conveniente lembrarmos que os portugueses atravessaram, em 1415, o Estreito de Gibraltar, sendo os primeiros europeus a se situarem em África (Ceuta, em Marrocos), estabelecendo, no território africano, devido à presença de comerciantes, marinheiros etc., o chamado pidgin, de base portuguesa, “idioma” usado com o fito de se estabelecerem as relações, sobretudo comerciais. Esse “idioma” evolui, no caso dos PALOPs (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, a saber, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe), para o que então se denominava crioulo, especialmente nos países em que o comércio era muito valorizado .

    Assim, ali conviviam, com as outras línguas de origem autóctone, o pidgin e o crioulo, num imenso mosaico lingüístico, o que, como veremos, foi fator importante de desunião dos africanos durante muito tempo, pois, por não se compreenderem mutuamente, essas pessoas foram mais facilmente absorvidas pelo processo de tentativa de aniquilação cultural que a metrópole desenvolvia e punha em prática sobre elas.

    É fundamental observarmos que as literaturas africanas de expressão portuguesa são, portanto, produto ulterior de uma consciencialização que se esboçou mais fortemente nos anos 40 e 50 do século XX, tendo sua gênese e desenvolvimento nas chamadas "elites lusófonas" (africanos e africanizados que falavam o português).

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  6. Continuação...
    É preciso, aqui, no entanto, retornar às décadas anteriores, notadamente ao ano 1926, em que António Salazar, primeiro-ministro ditatorial português, estabeleceu uma lei que diferenciava os africanos em “civilizados” e “bárbaros”, sendo que, para serem considerados “civilizados”, teriam de saber falar (e, numa perspectiva idealista, ler e escrever) o português. (Devemos observar que “Africanizado” seria um termo para designar aqueles que, embora pertencentes ao estatuto de colonizadores, tinham, por razões étnicas, sociais, econômicas etc., ideologia e práxis de africanos autóctones, contribuindo com estes na luta pela libertação de todo subjugo imperialista, conforme falaremos.)

    Daí, dessa lei metropolitana, é que se inicia, efetivamente, o gérmen do que viria a ser a consciencialização africana, sobretudo, neste momento, no que se refere ao aspecto social do negro em África e diante do mundo. Este foi, pelo que se percebe, um como que “paradoxo”, pois a rigorosa lei, cujo objetivo era aniquilar as culturas dos africanos, ajudou-os grandemente no caminho de sua própria libertação, aumentando-lhes a chance de firmarem-se como povo de expressão cultural vasta, complexa, importante e — autônoma.

    Isso ocorreu sobretudo pelo fato de a língua portuguesa, entre outros fatores, ter sido veículo de unificação comunicativa, devido àquela circunstância, acima mencionada, de o mosaico lingüístico não tornar fácil ou sequer viável o diálogo de expressões e idéias entre os africanos, o que veio a ocorrer, repita-se, em grande parte por causa da unidade lingüística promovida pela língua portuguesa, razão a que se acresceram, evidentemente, muitas outras no processo histórico e antropológico posterior em África.

    Portanto, acontece que o escritor africano vive, por muito tempo, no meio de duas realidades a que ele não pode ficar alheio: a sociedade colonial européia e a sociedade africana; os seus escritos são, por isso, o resultado dessa tensão existente entre os dois mundos, um escrito “híbrido”, nascente da realidade dialética, ora com traços inquestionáveis de aculturação, ora com traços (no início inexistentes ou imperceptíveis) de ruptura. No fundo, um escrito africano poderia, naquele momento inicial, ser um escrito europeu, pois os temas, a forma, o estilo, a ideologia — tudo era “branco”, “europeu”, “civilizado”.

    Com efeito, neste momento, segundo a visão de um Marx, os africanos ainda estavam inteiramente alienados pelo modo de produção colonialista, imbuídos do espírito do colonizador, e de sua ideologia de classe dominante, ainda alheios à consciência e à práxis que esta, no futuro, viria a gerar, como veremos.

    Acrescente-se a este quadro alienado e alienante o fato de que o escritor africano, apesar dos esforços dos governos portugueses em sentido contrário, recebe constantemente as influências do exterior, pelo que a sua escrita, na forma e no conteúdo, começará a revelar o contato com movimentos e correntes literárias da Europa e da América, em que se destaca o movimento de negritude. Portanto, se, a princípio, em face do colonizador, o africano buscava a sua “adequação” aos moldes ditados pela metrópole, achando-se, inclusive, feio, bárbaro e impróprio se não procurasse, em si e no exterior, os meios de tornar-se “parecido”, o quanto fosse possível, com o colonizador, foram ocorrendo, pouco a pouco, contatos com povos que já haviam adquirido um grau de consciência do processo destrutivo por trás da aparente “inofensiva” aculturação, e aqueles povos conscientes ou em processo de conscientização foram importantes aos africanos de expressão portuguesa, a fim de que estes, juntamente com outros fatores, que serão brevemente analisados, vissem a realidade por trás da “máscara” que se lhes mostrava.

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  7. Continuação...

    Dessa forma, houve um processo quando se fala em literaturas africanas de língua portuguesa, um contínuo ponto de mutação ante realidades e ideologias conflitantes.

    Na tentativa de periodizar tal processo, Manuel Ferreira oferece um esquema em que apresenta a emergência da literatura africana, sobretudo no que toca à poesia, ligada ao que ele considera como "os momentos/etapas do produtor do texto".

    No primeiro momento, o escritor está em estado quase absoluto de alienação, inteiramente absorvido pela cultura colonizadora, reproduzindo seus ideais. Os seus textos poderiam ter sido produzidos em qualquer outra parte do mundo: é o menosprezo e a alienação cultural.

    O segundo momento corresponde à fase em que o escritor ganha a percepção da realidade, apontando distinções geográficas, sociais etc. em relação à “metrópole”. O seu discurso revela influência do meio, bem como os primeiros sinais de sentimento nacional: é a dor de ser negro; o negrismo e o indigenismo.

    O terceiro momento é aquele em que o escritor adquire a consciência nacional de colonizado. Liberta-se, promovendo um pensamento dialético entre raízes profundas e coibição de sujeição colonial. A prática literária enraíza-se no meio sócio-cultural e geográfico: é a desalienação e o discurso da revolta.

    O quarto momento corresponde à fase histórica da independência nacional, quando se dá a reconstituição da individualidade plena do escritor africano: é a fase da produção do texto em liberdade, da criatividade.

    Embora Manuel Ferreira não fale dele, há o quinto momento, marcado, ora, pela despreocupação em valorizar-se excessivamente a africanidade: as fragilidades humanas, as vulnerabilidades é que são, agora, enfatizadas.

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  8. Continuando...

    A ESCOLA E A PRISÃO: MANIPULAÇÃO E ESTEREÓTIPOS

    Dentro deste processo de surgimento das Literaturas Africanas de expressão portuguesa, dois ambientes apresentam grande expoência: a escola e a prisão.

    Sob uma perspectiva mais historicista, há Patrick Chabal, que, quando se refere ao relacionamento do escritor africano com o enorme campo de influência que constitui a oralidade , propõe quatro fases abrangentes da literatura africana.

    A primeira fase é a da assimilação. Os escritores africanos, quando lhes foi dada a oportunidade de produzir esteticamente, copiam e imitam os mestres, sobretudo europeus, o que converge com o pensamento de Manuel Ferreira, há pouco aludido.

    A segunda fase é a da resistência. Nesta fase, o escritor africano assume a responsabilidade de construtor, arauto e defensor da cultura africana. É a fase do rompimento com os moldes europeus e consciencialização definitiva de que o homo africano é tão sapiens como o europeu. Esta fase coincide com a da negritude lusófona.

    A terceira fase da literatura africana coincide com o tempo da afirmação do escritor africano como tal. Esta fase verifica-se depois da independência. O escritor procura, antes de mais nada, marcar o seu lugar na sociedade. Mais do que praticar "o exorcismo do imperialismo cultural", o escritor africano preocupa-se com "definir a sua posição nas sociedades pós-coloniais em que vive".

    A quarta fase, que é a da atualidade, a fase da consolidação do trabalho que se fez, em termos literários, é a fase em que os escritores procuram traçar os novos rumos para o futuro da literatura dentro das coordenadas de cada país, ao mesmo tempo em que se esforçam por garantir, para essas literaturas nacionais, o lugar que lhes compete no cenário literário universal.

    Escola e prisão são instrumentos de controle do colonizador sobre o colonizado. A escola deveria promover a dependência intelectual, mental, moral, ideológica, espiritual, estética e ética dos africanos, que só deveriam “aprender” o que favorecesse à metrópole. A prisão, em contrapartida daquele instrumento doutrinador, deveria ser elemento de coerção absoluta, amedrontando, com violência máxima, a qualquer um que pudesse esboçar uma atitude contrária àquela forma que o colonizador ditava como a adequada, o estereótipo a ser seguido.

    No entanto, os dois instrumentos supra relacionados se tornam, pouco a pouco, centros de gradativa consciencialização negra. Na escola, tendo aprendido a cultura e a língua do colonizador, o colonizado pode conhecer-lhe a estrutura e, pois, miná-la. A prisão, por seu turno, deixa de ser um local de silêncio, apesar dos contundentes instrumentos e arsenais de coação, e passa a ser sítio de reflexões sociopolíticas e, pois, de reação, primeiro num nível mental, depois num nível pragmático, cuja práxis, repita-se, caminhou no sentido da libertação intelectual, mental, moral, ideológica, espiritual, estética e ética.

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  9. A QUESTÃO DA ALTERIDADE NAS LITERATURAS AFRICANAS DE EXPRESSÃO PORTUGUESA

    Antes de tudo, cumpre assinalar que a alteridade, em África, foi muito mais do que uma simples técnica literária, ou um elemento de construção textual, em que locutor e interlocutor se põem frente a frente. Isso porque a literatura, no caso de África, surge, como vimos acima, de uma condição de hierarquia, de subjugo, em que o conflito, portanto, é a tônica principal, se não exclusiva, da relação ou do conjunto de relações entre colonizador e colonizado.

    Dessa forma, tendo de usar a expressão da metrópole, não apenas do ponto de vista discursivo, como também comportamental e ideológico, e, no entanto, estando em notória situação de desajuste em relação às circunstâncias típicas do ambiente europeu, o africano constrói, a partir de então, sua alteridade com base numa defasagem, o que vem a culminar com complexos, desajustes, conflito interno...

    Esse conflito — muito mais antropológico e sociológico do que simplesmente intelectual —, no caso da expressão portuguesa, em África, se resolve numa “tensão criativa”, em que a africanização do elemento lingüístico, a língua portuguesa, se dá com grande força. Tal fenômeno ocorreu, em grande parte, devido à flexibilidade fonética da língua portuguesa, que, pois, eliminou, em grande parte, no africano, o abismo que poderia existir entre querer-dizer e poder-dizer, dando, a ele, possibilidade de construir sua expressão sem abrir mão de suas especificidades culturais, expressão que buscava na realidade, na verossimilhança, seu maior refúgio e objetivo. Em suma, a alteridade, em literaturas africanas de expressão portuguesa, é técnica, mas, muito além, é tema — literário, social, humano.

    As literaturas africanas de expressão portuguesa, como foi falado, vêm da negação da tentativa, por parte da metrópole, de impor seu modus vivendi e seu modus agendi sobre a colônia. O africano quer retratar o que tem de peculiar, e, com isso, contribuir com a História, não como mero simulacro de Portugal. Assim, os outros — o colonizado e o africanizado — têm suas vozes convergindo para a libertação do jugo colonial, conquistando sua dignidade como indivíduos e como sociedade.

    Portanto, um importante elemento da alteridade no caso específico das literaturas de expressão portuguesa em África é o fato de que o “eu” africano se embate com o “outro” europeu, adotando-lhe a langue, mas tendo uma distinta parole, já que a língua é da metrópole, mas a fala é da colônia. Assim sendo, ao livrar-se, gradualmente, dos enfeites e das máscaras a que se submetia em face do colonizador, o africano é, a princípio, combalido em seu equilíbrio psicológico, mas, com o tempo, vai discernindo entre os valores alóctones assimilados, a fim de retirar, daí, alguma eventual característica que não seja de todo negativa .

    Como fonte “oracular”, o africano elege o tema do regresso: regresso à época anterior à colonização, mas sobretudo regresso à infância, paraíso crepuscular de delícias e sabedorias...

    A alteridade, como vimos, ao mesmo tempo ocorrendo no campo da técnica e da temática (pois é uma alteridade discursiva além de buscar libertar o colonizado dos pontos de vista ético, estético, psicológico e cultural fragmentados que a metrópole impunha), será uma alteridade que permanecerá na tentativa de resolução da angústia existencial que caracteriza o romance africano atual .

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  10. REFERÊNCIAS


    CHABAL, Patrick, Angola: the weight of history. Hardcover: 2007

    -----------, The postcolonial literature of lusophone Africa. Paperpeck, setember: 2002


    ROSA, Manuel Ferreira. A Escola para Angola : Lema escola diferente In: Ultramar. - Vol. V, nº 2 (4º Trimestre 1964)

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  11. VISITE OS ESPAÇOS E REVISTAS:
    http://www.revistafenix.pro.br/vol11Marcelo.php

    http://compare.buscape.com.br/literaturas-africanas-e-afro-brasileira-na-pratica-pedagogica-amancio-iris-maria-da-costa-gomes-nilma-lino-jorge-miriam-lucia-dos-santos-isbn-8575263013.html

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  12. VISITE OS ESPAÇOS...

    http://www.pucminas.br/literaturas_africanas/index_padrao.php

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  13. VISITE OS ESPAÇOS...
    http://www.editoracontexto.com.br/produtos/pdf/DIASPORA%20NEGRA%20NO%20BRASIL_INTRODUCAO.pdf

    http://www.claudialima.com.br/pdf/DIASPORA_NEGRA_PARA_O_TERRITORIO_BRASILEIRO.pdf

    http://www.segundocoloquioafricano.ufjf.br/aretuza.pdf

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  14. VISITE OS ESPAÇOS...
    http://www.museuafrobrasil.com.br/apresentacao.asp

    http://www.overmundo.com.br/agenda/mostra-de-cinema-da-africa-e-da-diaspora-negra-1

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  15. visite os espaços...
    http://cafehistoria.ning.com/group/racismoeescravidonegranobrasil

    http://www.portal.fae.ufmg.br/pensareducacao/arquivos/Indicleit/Culturanegraeeducacao.pdf

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  16. VISITE OS ESPAÇOS:MOÇAMBIQUE

    http://www.mozambique.mz/

    http://www.fflch.usp.br/dlcv/posgraduacao/ecl/pdf/via03/via03_05.pdf

    http://images.google.com.br/images?hl=pt-BR&q=mo%C3%A7ambique&oq=&um=1&ie=UTF-8&ei=Vm2SS7qRIcKluAeq6YXtBg&sa=X&oi=image_result_group&ct=title&resnum=7&ved=0CDEQsAQwBg

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  17. Mia Couto

    Encontrados 25 pensamentos de Mia Couto
    Quando já não havia outra tinta no mundo o poeta usou do seu próprio sangue.
    Não dispondo de papel, ele escreveu no próprio corpo.
    Assim, nasceu a voz, o rio em si mesmo ancorado.
    Como o sangue: sem voz nem nascente.

    Mia Couto

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    A nossa língua comum foi construída por laços antigos, tão antigos que por vezes lhes perdemos o rasto.

    Mia Couto

    Adicionar à minha coleção Inserida por veralaportaMais Informação O mar foi ontem
    o que o idioma pode ser hoje,
    basta vencer alguns Adamastores.

    Mia Couto

    Adicionar à minha coleção Inserida por veralaportaMais Informação Cada um descobre o seu anjo
    tendo um caso com o demônio.

    Mia Couto

    Adicionar à minha coleção Inserida por caro.soaresMais Informação cada homem è uma raça

    Mia Couto

    Preciso ser um outro para ser eu mesmo

    Sou grão de rocha
    Sou o vento que a desgasta

    Sou pólen sem insecto

    Sou areia sustentando
    o sexo das árvores

    Existo onde me desconheço
    aguardando pelo meu passado
    ansiando a esperança do futuro

    No mundo que combato morro
    no mundo por que luto nasço

    Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

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  18. AUTORES IMPORTANTES DOS PAÍSES LUSÓFONOS:

    Alguns dos autores seleccionados:
    1.Alda Espírito Santo,
    2.Ana Paula Tavares,
    3.Baltasar Lopes,
    4.Conceição Lima,
    5.Corsino Fortes,
    6.David Mestre,
    7.Eduardo White,
    8.Francisco José Tenreiro,
    9.Jorge Barbosa,
    10.José Craveirinha,
    11.José Eduardo Agualusa,
    12.Luís Bernardo Honwana,
    13.Luis Carlos Patraquim,
    14.Luandino Vieira,
    15.Mia Couto,
    16.Noémia de Sousa,
    17.Ondjaki,
    18.Paulina Chiziane,
    19.Pepetela,
    20.Rui Knopfli,
    21.Ruy Duarte de Carvalho,
    22.Vasco Cabral,
    23.Viriato da Cruz.

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  19. ESCRITORES AFRICANOS LUSÓFONOS:
    VISITE: http://www.ich.pucminas.br/posletras/Nazareth_panorama.pdf
    POETAS E PROSADORES:
    1. Alda Lara,
    2. António Nunes,
    3. Aguinaldo Fonseca,
    4. Gabriel Mariano,
    5. Onésimo Silveira,
    6. Ovídio Martins,
    7. Orlanda Amarilis,
    8. Vera Duarte,
    9. Dina Salústio,
    10. Germano Almeida.

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  20. MAIS ESCRITORES DA ÁFRICA LUSÓFONA:

    11.Francisco da Costa Alegre,
    12.Francisco José Tenreiro,
    13.Mário Pinto de Andrade,
    14.Tomaz Medeiros,
    15.Maria Manuela Margarido,
    16.Marcelo da Veiga; e
    17.Carlos do Espírito Santo,
    18.Conceição Lima,
    19.Antônio de Assis Júnior,
    20.Castro Soromenho,
    21.Oscar Ribas,
    22.Antônio de Assis Júnior,
    23.Agostinho Neto,
    24.Costa Andrade,
    25.Carlos Ervedosa,
    26.Ermelinda Pereira Cavier,
    27.Luandino Vieira.

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  21. Adorei a idéia de comentar aqui no blog, isso demonstra maior facilidade e economia de tempo, porem alguns concerteza não gostarão da idéia por falta de conhecimento ou dificuldade de acesso.

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  22. ola gesina, mt boa essa tua ideia de fazer o blog, os textos sao otimos ... grande abrsss... ALLYSSON CAVALCANTE

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  23. Infelizmente é visível o descaso para com as nossas raízes. Toda a Europa quiz ( e ainda quer) manter o traço europeu no contexto aricano.

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  24. A sociedade precisa ser mais consciente e respeitar o próximo preservando os direitos de cada cidadão.O objetivo deste blog, caracteriza a importancia da educação no contexto cultural que faz da vida o importante desejo de promover este momento reflexivo da cultura brasileira.

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  25. Bastante interessante, levar nos, futuros professores a navegar na tecnologia, atraves no blog, e instrui-nos a ensinar e ao mesmo tempo aprender neste mundo competitivo.

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  26. Acho interessante essa experiência de estudar sobre os paises e sobre a cultura negra através de um blog e muito bom pois ficamos apesar desses textos descobrimos muitas novidades e curiosidades sobre o assunto.Na Angola por exemplo existem muitas coisas que descobri e que achei interessante.Todo o sofrimento daqueles negros,a miséria,a sujeira mas tambem existe os lados bons que é claro que são nas capitas da Angola.

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  27. A ideia do blog sobre as Literaturas Brasileiras da profª Generosa é um propulsor na divulgação e conhecimento à nós acadêmicos desta cultura tão importante que é a Africana.
    Parabéns pelo blog Generosa!

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